Nível da piscina baixando, evaporação ou vazamento

Nível da piscina baixando, evaporação ou vazamento

Em janeiro do ano passado eu completava a piscina toda semana e achava aquilo estranho.

Era mangueira ligada meia hora, todo sábado, sem falta. Cheguei a montar a história inteira na cabeça: trinca no casco, tubulação furada, obra cara chegando.

Fiz o teste do balde num domingo e a resposta veio em 24 horas. Não tinha vazamento nenhum. Era evaporação, na quantidade que uma piscina descoberta evapora mesmo em pleno verão.

O incômodo é que os dois problemas se parecem muito do lado de fora. A diferença entre eles não está na quantidade de água, está no padrão.

Quanto uma piscina perde por evaporação num dia comum

A faixa que se observa em piscina residencial descoberta vai de 3 a 6 mm de lâmina por dia no verão, e cai bastante no inverno.

Traduzido em litro, isso assusta quem nunca fez a conta. Uma piscina de 8 por 4 metros tem 32 m² de superfície.

A 5 mm por dia, ela perde 160 litros diários. Numa semana, são mais de 1.100 litros indo embora sem nada de errado acontecendo.

Em lâmina, é algo entre 2 e 4 cm por semana. É exatamente a marca que faz o dono de casa achar que tem furo.

Some a isso o que sai de outras formas. Uma retrolavagem do filtro de areia joga fora entre 200 e 800 litros dependendo do tamanho, e ela acontece todo mês.

E tem o arraste. Quatro pessoas brincando numa tarde de sábado tiram muito mais água do que parece, entre respingo, corpo molhado saindo e toalha encharcada.

No inverno o cenário vira do avesso. Com a água a 18 °C e o ar úmido, a mesma piscina pode passar duas semanas sem que você precise completar nada.

Por isso a comparação que interessa é sempre com o mesmo período do ano. Perder 3 cm por semana em janeiro é normal; perder 3 cm por semana em julho é sinal de alerta.

O vento tira mais água que o sol

Essa é a parte contraintuitiva, e é o que explica por que duas casas na mesma rua perdem quantidades diferentes.

Evaporação depende da diferença entre a umidade da água na superfície e a do ar logo acima dela. Enquanto essa camada de ar fica saturada, a evaporação desacelera sozinha.

O vento remove essa camada úmida e coloca ar seco no lugar, o tempo todo. É por isso que piscina em terreno aberto, sem muro nem vegetação, perde muito mais que piscina abrigada.

Água aquecida piora tudo. Piscina com aquecimento a 30 °C numa noite de 15 °C evapora de forma impressionante, e a fumaça que sobe de manhã é literalmente a sua água indo embora.

Por isso a capa térmica é o item que mais muda esse número, e muda por dois motivos ao mesmo tempo: ela segura o calor e bloqueia o contato com o ar.

Se você usa capa, aliás, as faixas deste texto não valem para a sua piscina. Com cobertura, a perda diária cai a uma fração, e qualquer baixa relevante vira suspeita séria.

Como um vazamento se comporta de outro jeito

Vazamento tem três assinaturas que a evaporação não tem, e reconhecer qualquer uma delas já encaminha o diagnóstico.

A primeira é indiferença ao clima. Evaporação despenca em dia nublado, frio e úmido; vazamento perde a mesma coisa na chuva e no sol.

A segunda é o volume. Perder mais de 1 cm por dia de forma consistente, em piscina descoberta e sem uso intenso, sai da faixa que a evaporação explica.

A terceira é o ponto de parada. Piscina com furo baixa até a altura do furo e estaciona ali. Se o nível sempre para na mesma linha, essa linha é o endereço do problema.

Existe ainda um sinal indireto que vale ouro: umidade no jardim ou no piso ao redor sem explicação, grama muito mais verde num trecho, ou piso de deck sempre úmido de um lado.

E tem o sinal químico. Piscina que perde e é completada o tempo todo recebe água nova constantemente, então o cloro nunca sustenta e o estabilizante nunca sobe.

O teste do balde feito do jeito que dá resultado

É o teste mais confiável que existe para essa dúvida, e ele só falha quando é feito errado.

  1. Escolha um período de 24 a 48 horas sem chuva prevista e sem ninguém usando a piscina.
  2. Pegue um balde de plástico, encha com a água da própria piscina até uns 5 cm da borda e apoie num degrau, de forma que fique parcialmente submerso.
  3. Marque com fita crepe o nível da água dentro do balde e, na parede do balde, o nível da piscina do lado de fora.
  4. Mantenha a filtragem na rotina normal e desligue qualquer boia ou reposição automática de água.
  5. Depois de 24 horas, compare as duas marcas.

A lógica é simples. O balde está exposto ao mesmo sol, ao mesmo vento e à mesma temperatura, então ele evapora na mesma proporção que a piscina.

Se as duas marcas desceram igual, é evaporação e ponto final. Se a marca de fora desceu visivelmente mais que a de dentro, a diferença é o que a piscina está perdendo por outro caminho.

Uma diferença de mais ou menos 1 cm em 24 horas já é vazamento a investigar. Diferenças de 2 ou 3 mm ficam dentro da margem de erro do próprio teste.

O erro clássico é desligar a boia automática e esquecer. Reposição automática mascara o problema por meses, e a única pista fica na conta de água.

O teste da bomba ligada e desligada

Se o balde acusou vazamento, o próximo teste diz em que parte do sistema procurar, e economiza muito tempo.

Marque o nível e deixe 24 horas com a bomba rodando normalmente. Depois complete, marque de novo e deixe 24 horas com a bomba totalmente desligada.

Se perdeu mais com a bomba ligada, o vazamento está na tubulação de pressão, que é a linha de retorno. A bomba empurra água por ali sob pressão, e o furo despeja mais.

Se perdeu mais com a bomba desligada, olhe o casco, o ralo de fundo e a linha de sucção. Com a bomba parada, a coluna de água pressiona esses pontos sem alívio.

Se perdeu igual nos dois períodos, o problema tende a ser estrutural: trinca no casco, rejunte comprometido ou junta de skimmer.

Esse teste sozinho não aponta o lugar exato, mas ele corta o campo de busca pela metade antes de qualquer escavação.

Onde o vazamento costuma estar

Em piscina residencial, a lista de suspeitos é curta e bem previsível.

  • Junta do skimmer. É o campeão. O corpo plástico do skimmer encontra a alvenaria, e essa emenda trabalha e abre com o tempo.
  • Nicho da luminária. O conduíte que leva o cabo pode virar caminho de água, principalmente se a emenda foi malfeita.
  • Bicos de retorno. A rosca do bico com o tubo afrouxa e passa a vazar por trás do revestimento.
  • Rejunte e trinca no revestimento. Comum em piscina de alvenaria mais velha, e costuma perder pouco e devagar.
  • Ralo de fundo. Menos frequente, mas quando vaza, vaza muito e não estaciona em altura nenhuma.
  • Tubulação enterrada. A pior de todas, porque exige detecção com equipamento e quebra de piso.

Para confirmar um suspeito, existe o teste do corante. Com a bomba desligada e a água completamente parada, pingue corante alimentício bem perto do ponto e observe sem se mexer.

Se o corante for puxado para dentro da fresta em vez de se dispersar, você achou. Fazer isso no fim da tarde ajuda, porque a água está mais parada e a luz favorece.

Comece o teste do corante sempre pelo skimmer, mesmo que outro ponto pareça mais suspeito. A proporção de casos que terminam ali é alta demais para pular a checagem.

E não faça o teste logo depois de aspirar ou escovar. A água leva um bom tempo para parar de verdade, e correnteza residual arrasta o corante e engana.

O que reduz a evaporação de verdade

Se o teste apontou evaporação, existe uma ordem de eficácia bem clara, e ela não é a que a maioria imagina.

Em primeiro lugar, disparado, vem a cobertura. Uma capa flutuante sobre a lâmina corta a maior parte da perda, e o efeito aparece já na primeira semana de uso.

Se você tem dúvida sobre o quanto isso rende na prática, o assunto está detalhado em capa térmica de piscina reduz mesmo a perda de água.

Em segundo, quebrar o vento. Uma cerca-viva, um painel ripado ou até um muro baixo do lado de onde o vento predomina mudam bastante o número, e isso é fácil de observar.

Em terceiro, baixar a temperatura da água, o que na prática significa usar o aquecimento só quando alguém vai nadar. Piscina aquecida 24 horas por dia é o maior sorvedouro de água que existe.

E tem o que quase não faz diferença: mudar o horário da filtragem, trocar o bico de retorno ou usar produto anti-evaporante em piscina residencial descoberta.

Esses produtos formam um filme molecular na superfície e funcionam melhor em água parada. Numa piscina com gente entrando e bomba circulando, o efeito medido é pequeno.

Quanto custa deixar como está

Vale colocar número nisso, porque muita gente convive anos com um vazamento pequeno achando que sai mais barato.

Um vazamento de 1 cm por dia naquela piscina de 32 m² são 320 litros diários, quase 10 mil litros por mês.

Com a tarifa de água tratada mais esgoto girando entre R$ 8 e R$ 20 o metro cúbico dependendo da cidade e da faixa de consumo, isso vira algo entre R$ 80 e R$ 190 por mês.

Some o produto químico que vai embora junto e o que se gasta para reequilibrar água nova toda semana. O rombo mensal é maior que a conta de água sozinha.

Do outro lado, o reparo de junta de skimmer ou de nicho com massa epóxi apropriada é dos serviços mais baratos que existem em piscina, com material em faixa de dezenas a poucas centenas de reais.

Já a detecção profissional de vazamento em tubulação enterrada, com equipamento de escuta ou gás traçador, costuma ficar entre R$ 400 e R$ 1.500 dependendo da região e do tamanho da área.

Esses valores são referência de mercado e mudam bastante de cidade para cidade, então trate como ordem de grandeza e peça orçamento local.

Na ordem, o que eu faria

Primeiro, antes de qualquer teste, anote quanto você repõe por semana durante quinze dias. Sem esse número, todo o resto é impressão.

Segundo, faça o teste do balde num período seco e sem uso. Ele custa zero e resolve a dúvida principal em um dia.

Se der resultado ambíguo, repita por 48 horas em vez de 24. O dobro do tempo dobra a diferença medida e tira a dúvida de quem ficou olhando dois milímetros.

Terceiro, se deu evaporação, ataque a evaporação em vez de procurar culpado. Cobertura, quebra-vento e temperatura mais baixa da água resolvem muito mais que qualquer outra coisa.

Quarto, se deu vazamento, faça o teste de bomba ligada e desligada antes de chamar alguém. Chegar com essa informação pronta encurta a visita técnica e o orçamento.

Quinto, deixe a boia automática desligada durante toda a investigação. Ela é ótima no dia a dia e péssima quando você está tentando medir alguma coisa.

E se a piscina for de borda infinita, nada disso funciona direto, porque o tanque de compensação mascara o nível. Ali o teste precisa ser feito com o sistema de transbordo desligado.

Uma última coisa que vale dizer, porque poupa dinheiro: nunca esvazie a piscina para procurar vazamento antes de fazer os testes com ela cheia.

Piscina vazia esconde o defeito em vez de mostrar. Sem a coluna de água pressionando, a fresta se fecha, e você fica olhando uma parede que parece perfeita.

Rogério Sampaio
Rogério Sampaio

Cuida da piscina de casa desde 2014 e, de tanto acertar na tentativa e erro, virou o cara que a família e os vizinhos chamam quando a água amanhece verde. Não é técnico de piscina: o que ele tem é um caderno com dez anos de dose, prazo e resultado anotados a cada tratamento.