Pré-filtro da bomba entupido e o efeito na pressão do sistema

Pré-filtro da bomba entupido e o efeito na pressão do sistema

Eu retrolavei um filtro limpo por causa disso, e perdi uns 400 litros de água à toa.

A história foi assim. O jato do retorno tinha virado um filete, a superfície parou de escumar e eu fui olhar o manômetro esperando encontrar ele lá em cima.

Estava marcando 6 psi. A minha referência de filtro limpo era 11.

Eu olhei aquilo e não entendi nada, porque pressão baixa não bate com filtro sujo. Retrolavei mesmo assim, por teimosia, e claro que não mudou nada.

O problema estava dois metros antes do filtro, dentro de um cesto de plástico cheio de folha de figueira que eu não abria havia três semanas.

Por que o manômetro cai em vez de subir

Essa é a parte que confunde quase todo mundo, e é o que faz gente tratar o problema errado.

O sistema tem dois lados. Do skimmer até a boca da bomba a água é puxada, e da bomba pro filtro ela é empurrada.

O manômetro fica no lado que empurra. Ele mede o quanto o filtro está resistindo à passagem da água.

Filtro sujo resiste mais, então a pressão sobe. Essa parte todo mundo sabe.

Só que o manômetro também precisa de água chegando pra marcar alguma coisa. Se o cesto do pré-filtro estrangula a entrada, chega menos água na bomba e ela entrega menos pro filtro.

Resultado: a agulha cai. No meu caso caiu 5 psi abaixo da referência, e uma queda de 2 a 4 psi já é sinal claro.

Guarde essa regra de bolso, porque ela resolve metade dos diagnósticos de piscina. Pressão alta com jato fraco é filtro. Pressão baixa com jato fraco é sucção.

E ela só funciona se você souber qual é a sua pressão de filtro limpo. Sem esse número anotado você está chutando, e vale ler antes como ler a pressão sem chutar.

O que a piscina mostra antes de você olhar o equipamento

Dá pra desconfiar sem sair da beira, e eu passei a olhar essas coisas por hábito.

O primeiro sinal é o jato do retorno. Ele deixa de empurrar a superfície e vira um borbotão preguiçoso que morre a meio metro do bico.

O segundo é o skimmer parando de escumar. Com sucção fraca a portinhola do skimmer quase não abre, e a folha fica boiando no meio da piscina em vez de ser puxada.

O terceiro é o aspirador robô ou o aspirador manual perdendo força. Aspirador de sucção depende inteiramente da vazão da bomba, e ele sente antes de você.

O quarto é a água começando a ficar levemente turva sem motivo químico nenhum. Menos vazão significa menos ciclos de filtragem por dia, mesmo com a bomba ligada as mesmas horas.

Esse quarto ponto é o mais caro dos quatro. Muita gente responde a ele aumentando cloro, e o cloro não tem nada a ver com o assunto.

Por que o cesto entope tão rápido em algumas casas

Não existe uma frequência universal, e quem repete a mesma dica pra todo mundo está errando.

Aqui em casa, com uma figueira grande de um lado, no outono eu abro o cesto a cada dois ou três dias. No inverno passo duas semanas sem tocar nele.

Numa piscina em área aberta, sem árvore próxima, uma olhada por semana no verão costuma bastar.

O que enche cesto rápido é bem específico. Folha miúda e seca, flor de árvore, pólen em época de floração, grama de cortador de grama e pelo de cachorro.

Tem também o efeito acumulado do vento. Piscina que fica na direção do vento predominante do terreno junta muito mais coisa, mesmo sem árvore em cima.

E tem o dia da aspiração, que é o campeão de entupimento. Aspirar significa mandar de propósito toda a sujeira do fundo por dentro do cesto.

Se você aspirar com o cesto já pela metade, ele fecha antes de você terminar o serviço. Eu esvazio o cesto sempre antes de aspirar, e às vezes no meio.

Quanto de cesto cheio já atrapalha

Muito menos do que parece, e essa foi a coisa que mais me surpreendeu quando comecei a medir.

Cesto com um terço de folha ainda passa água quase normalmente. A pressão nem se mexe.

A partir de uns dois terços a coisa vira. A vazão cai de forma perceptível e o manômetro começa a descer.

Não precisa estar transbordando de folha pra estrangular. Uma camada de folha molhada e prensada contra a parede do cesto tapa a área útil muito mais rápido que um monte de folha solta no meio.

Tem um detalhe que quase ninguém percebe: o cesto entope de fora pra dentro. A sujeira gruda nos furos laterais primeiro, e o meio continua parecendo vazio.

Por isso olhar o cesto de cima e achar que está limpo engana. Tire ele e olhe contra a luz.

Passo a passo da limpeza

  1. Desligue o disjuntor da bomba no quadro. Não basta o botão nem o timer, porque bomba com timer religa sozinha e a sua mão pode estar dentro dela. Serviço em fiação, tomada ou quadro é de eletricista.
  2. Feche os registros de sucção e de retorno. Se a bomba fica abaixo do nível da água, pular isso significa esvaziar meia piscina no chão.
  3. Alivie a pressão. Abra o respiro de ar do filtro até parar de sair água e a agulha do manômetro chegar a zero.
  4. Abra a tampa com a mão. A maioria é rosca grande de plástico ou trava de meia volta, e nenhuma delas foi feita pra ferramenta.
  5. Retire o cesto e esvazie no lixo, não no jardim. Folha com cloro e cabelo enrolado não vira adubo, vira caroço.
  6. Lave com jato fraco de mangueira, contra a luz. Jato forte demais racha o plástico envelhecido pelo cloro, e cesto rachado deixa folha ir direto pro rotor.
  7. Olhe a boca de entrada do rotor com uma lanterna. Se algo já passou, é aqui que vai estar preso, e é uma das causas de barulho estranho na bomba.
  8. Confira o o-ring da tampa. Se estiver macio e redondo, limpe o canal e passe silicone de vedação. Se estiver quadrado, achatado ou trincado, troque.
  9. Recoloque o cesto no encaixe certo. Ele tem um lado e um recorte que casa com a boca de sucção, e cesto torto deixa passar tudo pela lateral.
  10. Se a bomba fica acima do nível da água, encha o corpo do pré-filtro com água antes de fechar. Sem isso ela roda seca.
  11. Abra os registros, ligue o disjuntor e só então ligue a bomba. Fique olhando o visor da tampa nos dois primeiros minutos.

O passo dez é o que mais custa caro quando é pulado. Bomba rodando seca destrói o selo mecânico em poucos minutos, e às vezes na primeira vez.

Como saber se resolveu de verdade

Ligue a bomba e cronometre uns dois minutos. O visor da tampa tem que encher completamente de água, sem bolsa de ar em cima nem bolha rodando.

Vá até a piscina e olhe o retorno. O jato precisa estar firme e contínuo, empurrando a superfície de novo.

Depois olhe o manômetro. Ele deve ter voltado pra faixa da sua referência de filtro limpo, ou bem perto dela.

Se os três sinais voltaram, era só isso. Se o jato melhorou mas a pressão continua baixa, ainda tem restrição em algum outro ponto da sucção.

Vale anotar a data numa etiqueta colada no filtro. Depois de dois meses de anotação você descobre o seu intervalo real, que é o único que importa.

Os erros que transformam um cesto sujo em conserto de bomba

O primeiro é apertar a tampa com chave de cano ou com uma barra passada na alça. A tampa deforma, para de vedar e passa a puxar ar, o que gera o mesmo sintoma que você acabou de consertar.

O segundo é lubrificar o o-ring com vaselina, graxa de rolamento ou óleo. Derivado de petróleo incha e apodrece borracha de vedação, e em poucos meses ela vira massa.

O terceiro é continuar usando cesto rachado. A rachadura parece inofensiva, mas ela é justamente o caminho preferencial da água, então tudo passa por ali.

Um cesto novo custa algumas dezenas de reais e o preço varia bastante por modelo. Vale ter um segundo guardado, porque com dois você troca na hora e lava o sujo com calma.

O quarto é esquecer uma meia de náilon esticada no cesto. É um truque real, que pega pó fino e pólen, mas ele reduz muito a área de passagem e entope em um ou dois dias.

Se for usar, use no dia do pólen e tire no dia seguinte. Meia esquecida é a causa mais boba de bomba estrangulada que existe.

O quinto é ligar a bomba com o registro de sucção ainda fechado depois da limpeza. Ela roda sem água, esquenta e o selo vai embora.

Pastilha de cloro dentro do cesto

Esse merece um lugar só dele, porque é comum, parece esperto e destrói equipamento.

A ideia parece boa: o cesto está no caminho da água, então a pastilha dissolve devagar e distribui sozinha.

O problema é que pastilha de tricloro é fortemente ácida quando dissolve. A solução que se forma ali dentro é agressiva com metal, com borracha e com o selo mecânico.

E tem a parte pior, que é o que acontece quando a bomba desliga. Aquela água ácida e concentrada fica parada em contato com o rotor e com o selo pela noite inteira.

Repita isso todo dia por um verão e o resultado é corrosão do miolo da bomba, com peça de aço inox manchada e o-ring ressecado antes da hora.

O mesmo vale pra pastilha no cesto do skimmer, com o agravante de que ali a água ácida também ataca o encanamento e as partes da linha.

O lugar certo da pastilha é o flutuador ou o clorador de linha. E se você usa timer, a bomba passa horas desligada por dia, o que só piora o problema no cesto.

Vale olhar com atenção quantas horas a sua bomba realmente fica parada, porque isso muda o cálculo de como usar o timer sem estragar nada.

Quando o cesto não era o problema

Tem um cenário em que você limpa tudo, faz certinho, e a pressão continua baixa. Vale reconhecer ele em vez de repetir a limpeza.

Se o cesto volta a encher em dois dias sem que o outono explique, alguma coisa está trazendo sujeira demais. Costuma ser cesto do skimmer quebrado, ou a tampa dele solta deixando entrar folha por cima.

Se o cesto está limpo e a pressão não sobe, olhe entrada de ar nas juntas da sucção e o rotor obstruído. Esses dois dão exatamente o mesmo sintoma.

Se depois disso ainda estiver baixo, o candidato seguinte é a linha enterrada. Raiz de árvore, recalque do terreno e emenda antiga furada estrangulam a sucção sem que nada apareça na superfície.

Confirmar isso exige teste de estanqueidade com tampão e bomba de teste, medindo quanto a linha perde em quinze ou vinte minutos. Aí não é mais serviço de dono de casa.

E chame na hora, sem testar mais nada, se aparecer cheiro de queimado, se o disjuntor desarmar sozinho ou se der choque leve na carcaça.

Vale a comparação de custo pra deixar claro por que a ordem importa. Um cesto novo e um tubo de silicone somam poucas dezenas de reais.

Um selo mecânico queimado já é serviço de oficina, e motor com água dentro é compra de motor. Todos esses começam do mesmo jeito: um cesto que ninguém abriu por três semanas.

Rogério Sampaio
Rogério Sampaio

Cuida da piscina de casa desde 2014 e, de tanto acertar na tentativa e erro, virou o cara que a família e os vizinhos chamam quando a água amanhece verde. Não é técnico de piscina: o que ele tem é um caderno com dez anos de dose, prazo e resultado anotados a cada tratamento.